Doenças/Síndromes · Terceiro Ano

Síndrome do Imobilismo

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Olá, tudo bem?

Depois de começar TCC, de muitas provas, de aproveitar um pouquinho minhas férias, estudar, estou de volta! Como foi o ano letivo de vocês? E as férias? Como sempre, o meu passou muito rápido e num piscar de olhos já concluí meu terceiro ano de faculdade. Sobre as férias: como sempre, a minha está passando muito rápido e num piscar de olhos irá acabar AHAHA

O assunto da nossa conversa de hoje será síndrome do imobilismo, já ouviu falar e/ou sabe o que significa? Bom, antes disso, vamos entender o que é síndrome e o que é doença. Síndrome é um conjunto de sinais e sintomas, várias alterações em diversos órgãos/sistemas que podem surgir por uma ou mais causas. Já a doença consiste em alterações de um órgão/sistema ou do organismo como um todo com sintomas específicos. A doença apresenta etiologia (causa) reconhecida, alterações anatômicas consistentes e sinais e sintomas específicos que a diferem de uma síndrome. Algumas doenças podem levar a síndromes, por isso a investigação deve ser completa, assim como o tratamento.

Sendo assim, já sabemos que a síndrome do imobilismo gera alterações que podem afetar todos os sistemas do corpo e os efeitos causados por essas alterações comprometem a funcionalidade do indivíduo. Estas alterações são desencadeadas por permanecer muito tempo em repouso, de 12 à 15 dias já é considerado imobilização e começa a apresentar alterações nas funções do organismo. Acima de 15 dias já pode ocorrer irreversíveis alterações sistêmicas caso não sejam tratadas de maneira correta e precoce. A síndrome envolve problemas circulatórios, respiratórios, cardíacos, dermatológicos, musculares, entre outros.

É muito comum em idosos e o imobilismo, por si só, é uma causa de morbidade do idoso, sendo que, o completo imobilismo pode levar a perda de 5 a 6% de massa e força muscular por dia. Pode ser causada por diversos fatores, como psicológicos (como a depressão e medo de quedas), sociais (isolamento e restrição física) e físicos (como osteoporose e fraturas), neste caso, o repouso beneficia a região lesada mas seu prolongamento prejudica o resto do organismo. Quanto mais tempo no leito, maior as complicações.

No caso do sistema osteomuscular (geralmente é o mais acometido) os primeiros músculos a serem afetados são dos membros inferiores e do tronco. Como alterações ocorre a diminuição da força muscular, da resistência à fadiga, do torque, do número de sarcômeros, da capacidade oxidativa devido ao baixo débito de O2, má qualidade dos movimentos, comprometimento da irrigação sanguínea dos músculos, contraturas, ocorre atrofia das fibras musculares e dor/desconforto. Estas condições prejudicam as transferências, posturas e movimentos no leito, dificulta as atividades de vida diárias (AVDs), altera o padrão da marcha e aumenta o risco para úlceras por pressão. Além disso, os ossos ficam mais propensos à osteoporose devido a perda de massa óssea.

O tecido articular também é afetado na síndrome do imobilismo. O líquido sinovial é de extrema importância nas articulações para lubrificar e nutrir a cartilagem, porém, devido a inatividade há atrofia da cartilagem, proliferação do tecido fibrogorduroso e assim, ocorre espessamento da sinóvia e fibrose capsular.

No tecido tegumentar (pele) úlceras por pressão e atrofia da pele são extremamente comuns. Idade, estado nutricional, fragilidade da pele, distúrbios neurológicos e colchão inadequado são exemplos de fatores que influenciam o comprometimento da pele. Úlceras de decúbito ocorrem quando uma pressão extrínseca sobre a pele supera a pressão capilar média, resultando na diminuição do fluxo sanguíneo e oxigenação tecidual. Podem surgir em qualquer parte do corpo, sendo os mais comuns: sacro, trocânter maior, escápulas, maléolos laterais, calcanhares, occipital, joelhos, tuberosidades isquiáticas, orelhas e epicôndilos laterais.

Já no sistema respiratório, os movimentos diafragmáticos e intercostais diminuem seguido da perda de força muscular. A respiração fica mais superficial com um aumento relativo de CO2 nos alvéolos, consequentemente, gera um aumento da FR. Devido ao posicionamento do paciente ocorre um aumento da dificuldade de eliminação das secreções, a tosse é menos efetiva (posicionamento somado à fraqueza muscular). Este paciente fica mais predisposto à infecções respiratórias e atelectasias.

O sistema gastrointestinal também é prejudicado. O paciente apresenta falta de apetite, redução da peristalse (lentidão na absorção de nutrientes), tem perda de volume plasmático e desidratação que acompanham o repouso no leito que, normalmente, resulta em constipação.

No sistema cardiovascular é comum notarmos um aumento de FC em repouso, acúmulo de sangue nos membros inferiores devido há uma deficiência do retorno venoso que, além de agravar o edema dos membros, promove um enchimento incompleto do ventrículo esquerdo, levando a um déficit na eficiência cardiovascular. O aumento da PA sistólica é causado pelo aumento da resistência periférica. Também pode apresentar hipotensão ortostática e tromboembolismo venoso.

O paciente deve ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar para atender todas as suas necessidades. A prevenção e o tratamento fisioterapêuticos são muito parecidos, o paciente deve ser estimulado a ter uma movimentação precoce no leito, com exercícios preferencialmente ativos, porém, podem ser passivos, quando o paciente não tiver condições de realizá-los ativamente. Isso é feito com objetivo de movimentar as articulações, mantendo os músculos em movimento e evitando/minimizando os riscos de contraturas e atrofias musculares. Também reduz a incidência de TVP (trombose venosa profunda) e tromboembolismo, além de permitir melhor oxigenação e nutrição dos órgãos internos. O paciente também deve ser estimulado a deambular sempre que seu quadro permitir.

Para prevenir e tratar as complicações pulmonares, promovendo um padrão respiratório mais eficaz, técnicas e exercícios pulmonares devem ser realizados, como por exemplo, inaloterapia para evitar que as secreções se tornem rolhosas, tosse assistida, drenagem autógena, fortalecimento da musculatura respiratória, padrões ventilatórios, entre outros. A realização destes exercícios, além dos benefícios já citados, reduzem dor e promovem relaxamento.

Para prevenir as úlceras por pressão é feito a mudança constante de decúbito (de duas em duas horas) com cuidado no manejo deste paciente, para não machucá-lo, já que este possui a pele fragilizada. Rolos/coxins também são utilizados para prevenir úlceras, por exemplo, um rolo próximo ao tornozelo elimina a pressão que seria causada no calcanhar, pressão que poderia provocar uma úlcera. Colchões que distribuam o peso de forma mais adequada, como o de espuma e o em gel. Além disso, a hidratação da pele é fundamental. Também devem existir cuidados com a região já ulcerada, a fim de prevenir complicações, como por exemplo, eliminar a causa, reduzir o tempo para as trocas de decúbito e limpar a ferida (suporte da enfermagem indispensável).

O posicionamento do paciente no leito deve ser estimulado para não ocorrer posições viciosas, por exemplo, em flexão, pois este posicionamento é favorável ao desenvolvimento de contraturas musculares. O suporte nutricional deve ser realizado com rigor, pois o indivíduo desnutrido apresenta maiores chances de ocorrência de úlceras e de complicações.

Sendo assim, a fisioterapia é muito importante nos casos de síndrome do imobilismo para reduzir dores; manter/melhorar força muscular e ADM; evitar atrofias, encurtamentos e contraturas; prevenir e tratar úlceras; prevenir e tratar complicações respiratórias; promover a mobilização precoce do indivíduo e deambulação; evitar complicações cardiovasculares; melhorar coordenação e equilíbrio; hidratação da pele; promover o relaxamento; promover a independência do indivíduo para as AVDs; orientações para a prevenção de complicações circulatórias e reeducação postural.

E assim termina nosso primeiro assunto do ano. Ficou alguma dúvida? Comente ou entre em contato. Obrigada a todos por mais um ano de blog juntos!

Até o próximo post, beijos!

 

 

 

 

Referências:

 

http://www.infoescola.com/medicina/diferenca-entre-doenca-e-sindrome/

http://fisioterapia.com/sindrome-do-imobilismo/

Artigos

http://revistaintellectus.com.br/DownloadArtigo.ashx?codigo=309

https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/2396.pdf

Imagem

https://pixabay.com/en/hospital-labor-delivery-mom-840135/

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