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Ausculta Pulmonar

Olá, tudo bem?

Primeiramente, gostaria de compartilhar que estou amando meu 4° ano! Já terminei meu primeiro setor – e sinto saudades, era o setor de pneumologia e cardiovascular, atuava tanto na clínica quanto no hospital. Atualmente, estou estagiando no setor de ortopedia e também estou gostando! Mas, voltando ao post, hoje irei falar sobre ausculta pulmonar 😉

A ausculta pulmonar (AP) é um método para avaliar as condições do paciente, tanto antes quanto após a terapia e para a monitorização de sua evolução. Esta técnica permite ouvir os sons que são produzidos dentro do tórax, que são divididos em sons normais e patológicos.

Para a realização da técnica de forma correta, o paciente – sempre que possível – deve estar sentado ereto ou então, com o tronco o mais elevado possível. O estetoscópio deve ser posicionado diretamente no tórax do indivíduo, ou seja, na pele, nunca na roupa. O fisioterapeuta orienta o paciente a respirar um pouco mais profundo e com a boca entreaberta.

Uma AP deve ter no mínimo, seis pontos na região anterior e mais seis pontos na região posterior do tórax, podendo atingir até doze pontos em cada região. É muito importante que estes pontos sejam simétricos e comparativos, ou seja, ausculta um ponto no lado direito e em seguida, o mesmo ponto deve ser auscultado no lado esquerdo, sendo avaliado no mínimo por um ciclo respiratório completo (uma inspiração e uma expiração) em cada região.

pontos-de-ausculta.png
No mínimo seis pontos na região anterior (abaixo das clavículas, laterais do corpo do esterno e nas laterais do tórax seguindo a linha imaginária do xifóide) e seis pontos na região posterior (acima das escápulas, bordas médias das escápulas e nas laterais do tórax seguindo a linha imaginária do xifóide).

 

Sendo assim, resumidamente, uma boa AP baseia-se em posicionar o estetoscópio no paciente com tórax desnudo, boca entreaberta, se possível (difícil acontecer) em uma sala silenciosa e evitar auscultar sobre regiões ósseas e mamas.

Sons normais: se estiver tudo normal, o som é parecido com uma brisa.

  • Murmúrio vesicular: é o som da passagem do ar pelo sistema respiratório, está presente em toda a região pulmonar e é ouvido tanto na inspiração quanto na expiração (som mais suave);
  • Som laringotraqueal: som forte na região ântero-lateral do pescoço gerado pela passagem do ar pela traqueia. Alguns autores chamam de som bronquial, visto que, os sons são bastante semelhantes;
  • Som bronquial (murmúrio brônquico): som traqueal que pode ser ouvido na região de projeção de brônquios de maior calibre – face anterior do tórax, próximo ao esterno;
  • Som broncovesicular (murmúrio broncovesicular): som entre a traqueia e os lobos pulmonares superiores, de intensidade média tanto na inspiração quanto na expiração, sendo um pouco mais forte do que o murmúrio vesicular. 

    Sons anormais/patológicos:

  • Ruídos adventícios: sons patológicos que podem ser originados da árvore brônquica, alvéolos ou espaço pleural.
    Roncos: secreção seca aderida na parede brônquica e, consequentemente, diminuição do calibre. Normalmente é ouvido durante a inspiração mas também pode ser durante a expiração;
    Sibilos ou chiados: som produzido quando ocorre a obstrução dos brônquios (secreção seca/broncoespasmo), sons contínuos e de longa duração;
    Estertores crepitantes: secreção úmida na periferia (bronquíolos e alvéolos), som audível no final da inspiração;
    Estertores subcrepitantes: secreção úmida, audível durante a inspiração e expiração;
    Estertores bolhosos: a secreção é úmida e está presente em vias de calibres maiores (brônquios fonte e traqueia);
    Atrito pleural: estalido/som semelhante ao som de couro novo, ocorre quando as superfícies pleurais estão irritadas, devido à inflamações ou infecções;
    Cornagem: resultado da estenose das porções superiores das vias aéreas (laringe, faringe, traqueia e brônquios fonte), geralmente é ouvido à distância.

No começo é difícil auscultar e impossível classificá-los ahaha mas com a prática, fica claro a diferença entre um som e outro. Repasso uma dica de uma professora incrível: “Primeiro, aprenda o som fisiológico. Pegue seu esteto e fique no banheiro (a acústica de lá é melhor ahaha) tentando identificar o som do seu tórax. Depois de aprender o fisiológico, inicie os patológicos.”

Existem aplicativos e diversos vídeos na internet com todos os sons, não são sons perfeitos mas possibilitam começar o aprendizado sobre os mesmos. Como disse, a ausculta precisa ser treinada, só assim irá aperfeiçoá-la.

Caso tenha dúvidas, comentários ou qualquer sugestão, deixe um comentário ou entre em contato via e-mail.

Até o próximo post, beijos! XD

 

 

 

 

Referências:

Egan – Fundamentos de Terapia Respiratória. Wilkins, R. L.; Stoller, J. K.; Kacmarek, R. M.

Imagem: http://saudeexperts.com.br/ausculta-pulmonar/

 

 

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